Companhia fundada em 1995, no Porto, produziu até ao momento 29 espectáculos, cuja organização em ciclos de reflexão tem propiciado uma múltipla experimentação cénica sobre um conjunto de temas. O Teatro Bruto é um projecto artístico que se materializa numa série de espectáculos e eventos artísticos de cariz transdisciplinar. O objecto central do Teatro Bruto é o incessante questionamento sobre a criação artística e a representação teatral.
O Teatro Bruto afirma-se pela sua audácia, investindo ao longo dos anos no desenvolvimento de uma estética arrojada “bruta”, que explora o carácter sensorial da aventura cénica, privilegiando o trabalho do intérprete e o envolvimento plástico e sonoro das suas produções, articulado com o aprofundamento dos aspectos referenciais da criação teatral.
A par de uma estratégica alternância entre o recurso a criadores exteriores e a aposta nos elementos que constituem o Teatro Bruto – garantindo assim, simultaneamente a afirmação de uma identidade artística e a renovação das suas perspectivas de criação -, uma das matrizes mais relevantes do trabalho da companhia consiste em privilegiar a encenação de textos originais, escritos especificamente para produções próprias. O interesse dramatúrgico da companhia incide, em particular, sobre universos de inspiração surrealista, de carácter trágico-cómico, cujas personagens reais se encontram em contextos irreais, e em que as regras absurdas e acontecimentos ilógicos favorecem uma multiplicação de sentidos.
Afirmamo-nos como um grupo de criadores que aposta num trabalho assente na inovação cénica. Estamos permanentemente à procura de soluções estimulantes e originais, quer temáticas, quer formais, como forma de reflexão sobre a evolução da linguagem teatral e sobre temas pertinentes da sociedade actual.
O Teatro Bruto aposta agora numa direcção artística personalizada (a encenadora, figurinista e cenógrafa Ana Luena assume desde Outubro de 2007 a direcção artística da companhia), mantendo-se, no entanto, um “espaço” aberto que conjuga esforços e interesses diversos numa direcção una, um projecto alargado e complexo, cuja identidade acreditamos só assim fazer sentido.
O grupo de trabalho que colabora na elaboração do projecto programático para 2009/2010 surgiu do convite da directora artística a criadores que colaboraram no processo do espectáculo Nenhures (2008) e a outros com afinidades ao Teatro Bruto, para se juntarem aos membros da companhia.
Desse grupo fazem parte: Ana Luena (encenadora, figurinista e cenógrafa, Teatro Bruto), António Júlio (actor, criador convidado), Daniel Jonas (poeta, dramaturgo convidado), Mário Santos (actor, Teatro Bruto), Rui Lima (músico e interprete convidado), Pedro Mendonça (actor, direcção Teatro Bruto), Susana Lamarão (produtora, direcção Teatro Bruto), Vânia Cosme (apoio dramatúrgico e pesquisa, Teatro Bruto).
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